Minha primeira calopsita foi um exemplar maravilhoso na coloração lutina, extremamente belo e manso. Andava com ele no ombro pela rua sem que voasse ou se assustasse com o barulho dos carros, se escondendo no meu cabelo quando sentia frio ou estava entediado. Morreu antes de completar dois anos, numa bela manhã de outono, de um ataque de coração repentino: caiu do poleiro, sofrendo com convulsões terríveis, com respiração ofegante e forçada. Ligamos para um veterinário, que, ao ouvir a descrição, simplesmente respondeu: "Este não tem volta. Deixe o dentro da gaiola no chão, deixe ele morrer em paz." E assim foi. Quando voltei para casa após um dia exaustivo só recebi uma notícia: "Ela se foi enquanto você estava fora." Sofri muito com sua perda, e logo depois ganhei outra calopsita, mas essa não substituiu a antiga - era mais brava, e tinha a coloração menos definida.
Desde então nunca parei de criar calopsitas, muitas das quais influenciaram a minha trajetória no ramo ornitológico: Tim, Alpino, Pearl, Oscar, Darwin, e muitas outras que se foram mais me deixaram muitas marcas. Hoje tenho ainda um bocado e me sinto muito sortuda em ter ainda convivência com esses pássaros magníficos, assim como examinar seu cíclo de vida e o amadurecimento de seus filhotes.
Mas o amor pelos pássaros veio de muito antes disso: meu avô, quando era bem criança, tinha uma criação maravilhosa de canários, e sempre me encantaram suas cores e cantos. No entanto, nunca cheguei a ter canários pelo simples fato que, no fundo, sempre fui muito mais chegada a psitacídeos do que pássaros canoros.
Aos dez começei a criar pássaros também. Tive agapórnis, mas logo desisti por serem extremamente difícil se criar um casal de agapórnis em plena fase adulta sem que briguem ou até mesmo se matem. Respeito muito todos os criadores que conseguem tirar algum proveito desta espécie, pois minhas experiências com eles não foram nada boas e me traumatizaram profundamente (perdi a primeira fêmea com um ovo intalado e a segunda foi morta cruelmente, tendo olhos e penas arrancadas, pelo macho).
Logo me afeiçoei às calopsitas e desde então nunca tive experiências tão proveitosas quanto ao cruzamento e desenvolvimento de minhas calopsitas (tenho claro, outros pássaros, mas tenho mais calopsitas pois sou uma apaixonada pela espécie). Como prova de meu amor incondicional pelas calopsitas, crio-as até hoje, visando cada vez mais atingir níveis mais altos de profissionalismo e dedicação com o passar dos anos.